O Vinha da Estalagem tem menos de mil garrafas por colheita e recupera a memória vínica da cidade.
Segundo Adelino Martins, da Banda d’Além, a produção começou em 2024 e mantém um caráter de pequena escala. “Na primeira colheita foram feitas 865 garrafas. Em 2025, o número subiu para 980”, explica.
Continua a ser uma produção limitada e, também por isso, em vez de surgir mas prateleiras das grandes superfícies, é sobretudo um vinho de proximidade, ligado à quinta, à vinha e ao trabalho da família que voltou a dar uvas ao Barreiro.
O Vinha da Estalagem é produzido exclusivamente com Fernão Pires, uma das castas mais antigas de Portugal e presente na região há vários séculos. A Banda d’Além descreve-o como um vinho do século XXI. A expressão ajuda a perceber o contraste entre a memória da origem e um perfil pensado para hábitos mais atuais, com frescura, teor alcoólico equilibrado e baixo teor de sulfitos.
Na adega, o processo segue uma linha simples. “As uvas são esmagadas e desengaçadas antes da bica aberta tradicional. A fermentação dura cerca de duas semanas”, explica Adelino Martins
Depois, o vinho passa para cuba de inox, onde clarifica naturalmente. O baixo teor de sulfitos permitiu ainda a transformação malolática, acrescentando complexidade sem tornar o vinho pesado.
No copo apresenta uma cor amarela e um aspeto límpido. O aroma surge de forma subtil, com notas discretas de fruta. É um branco “mais elegante do que exuberante”, daqueles que ganham força à mesa.
Na boca revela “frescura, boa acidez e um corpo equilibrado, deixando perceber o carácter da Fernão Pires sem exageros”. A temperatura recomendada para servir fica entre os 10 e os 12 graus.
Para Adelino Martins, este é “um branco de acordo com as tendências atuais, com grande aptidão gastronómica, tornando as refeições do dia a dia mais alegres e agradáveis”.
Pela acidez, pelo corpo e pelo lado aromático, acompanha peixe, marisco, carnes brancas, entradas, petiscos e pratos mais leves. Também funciona em almoços descontraídos, jantares entre amigos ou refeições em casa onde apetece abrir uma garrafa com uma história local por trás.
A força do Vinha da Estalagem está precisamente nessa combinação entre origem, preço e produção limitada.
O preço recomendado é de 9,50€. Pode ser comprado diretamente na Adega Banda d’Além e em algumas garrafeiras do Barreiro e de Lisboa, como a Vinus Rarus e o Estado d’Alma. Por menos de 10€, entrega um branco fresco, gastronómico e raro. Menos de mil garrafas por colheita, produzidas na única vinha do Barreiro, dão-lhe um carácter difícil de repetir.



